E Zás #71: Conexão Sudaca; acreano transforma a vida em instalação/performance; Lethem trata do plágio

Programa Conexão Sudaca – dos melhores podcasts da internet! -, garoto some em misto de performance/instalação misteriosa, e Jonatham Lethem escreve (e bem!) sobre o plágio!

1. Conexão Sudaca é um poscast INCRÍVEL pautado pelos acontecimentos, história e cultura da América do Sul, e é um dos melhores (senão o melhor!), podcast da Central 3, um spaço para programação em podcast bem original e com alcance muito maior do que o da mídia tradicional. Recentemente estreiou um podcast com José Trajano  (Zé No Rádio) e estão em campanha de financiamento coletivo da empreitada. E é aquilo: apoia pensamento crítico? Odeia a mídia corporativa e não tem tempo pra se tornar a mídia? Apoie quem faz mídia de qualidade!! Simples assim.

A edição #123, que tem como tema “Crise da Esquerda”, tá muito boa e abaixo coloco a sinopse do programa:

Frente os últimos acontecimentos no continente tivemos uma edição bastante densa. Conversamos com o Prof. Fabio Luis Barbosa dos Santos (RI-Unifesp Campus Osasco) autor do livro Além do PT – A Crise da Esquerda Brasileira em Perspectiva Latino-Americana sobre a conjuntura sócio-política da região.

Também recordamos dos caídos na Guerra das Malvinas, por conta dos 35 anos do desembarque das tropas argentinas no arquipélago localizado no Atlântico Sul, a partir do rock de protesto de Los Violadores

Repassamos a última rodada das Eliminatórias, debatemos a suspensão absurda de Lionel Messi e apresentamos a história do Club Social y Deportivo Defensa y Justicia, adversário do São Paulo na Copa Sul-Americana. Houve espaço para uma edição urgente do Boletim Bolivariano em razão dos protestos no Congresso paraguaio, concomitantes à nossa gravação.

Você escuta o programa AQUI.

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2. Aconteceu no Acre – aquele estado que a empáfia sulista de uns dizem não existir:

O desaparecimento de Bruno [Borges, 24 anos] só foi percebido quando o pai entrou no quarto e viu as mudanças que haviam sido feitas no local. ‘Eu entrei lá e não vi a cama, não vi nada, só vi aquilo tudo. Naquele momento eu vi que o Bruno tinha ido embora'”. Isso é muito mais na matéria “Jovem deixou 14 livros escritos à mão e criptografados antes de sumir, diz mãe.

Nem sei do talento – ou não – literário do jovem e só espero que achem o jovem bem, com saúde e que consigam ajudá-lo de forma adequada. A família tá sofrendo muito e eu quero ver as partes bem MESMO. Mas o que me chamou atenção foi outra coisa:

Para além da dramaticidade da atitude do Bruno, é ou não é UMA INSTALAÇÃO ARTÍSTICA um tanto bem elaborada o quarto dele?? Para além do gosto particular, rola um encantamento com o método e a disciplina com que criptografou sua própria escrita e a forma com que ornamentou seu próprio quarto.

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Todas imagens retiradas do portal G1. A estátua seria do filósofo Giordano Bruno.

3. “Quando eu tinha 13 anos, comprei uma antologia de [literatura] Beat. Imediatamente, e para minha grande excitação, descobri um William S. Burroughs, autor de algo chamado Almoço Nu, cujo trecho estava ali em todo seu esplendor coruscante. Burroughs era então um homem literário tão radical quanto o mundo tinha para oferecer. Nada, em toda a minha experiência de literatura desde então, teve um efeito tão forte no meu senso de possibilidades de escrita. Mais tarde, tentando entender esse impacto, descobri que Burroughs tinha incorporado fragmentos de textos de outros escritores em seu trabalho, uma ação que eu sabia que meus professores chamariam de plágio”.

Bom, o ótimo texto The Ecstasy of Influence, escrito pelo escritor Jonathan Lethem e publicado na Harper’s Magazine, indicado pelo amigo Lauro Mesquita, é um tratado de 11 páginas sobre o plágio usado enquanto “criação” – se é que isso faz sentido para vocês. Bob Dylan, John Donne, hip hop e muito mais são usados pra tratar do tema.

Lethem, é um colaborador contumaz da famosa revista de língua inglesa e escreveu um dos livros ficcionais baseados em memorialismo que mais me marcaram nos últimos anos: Fortaleza da Solidão – achado em sebos virtuais a menos de 10 reais! E virou musical nos Estados Unidos!

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