E Zás #64: Prática (Rojava); História (Comuna de Paris), e Teoria (Harry Cleaver)

Política radical de esquerda em três tempos. Prática (Rojava); História (Comuna de Paris), e Teoria (Harry Cleaver)

1. PRÁTICA. O AntiCast é um podcast que pensa lutas contra o capital e experiências para além do capital. Em sua quinta edição, tratam da revolução de Rojava, no Norte da Síria, através de um médico que foi voluntário na região! É a revolução em PRIMEIRA PESSOA!

Vamos falar da revolução em pleno andamento no território autônomo no norte da Síria, conhecido como agora como Rojava. Lá, o povo Curdo tem protagonizado uma organização da vida sem Estado, baseada na igualdade social, de gênero e étnica que tem contribuído para desafiar tudo o que conhecemos sobre revolução no século XXI. Entrevistamos um companheiro anarquista que acaba de voltar de Kobane, uma das áreas que compõem Rojava. Ele esteve por meses colaborando na área da saúde e testemunhou de perto os desafios encontrados e as soluções que essas comunidades tem criado ao decidir viver uma vida auto-gerida, em confronto com os estados vizinhos (Síria, Turquia, Iraque), o patriarcado, o imperialismo e o terrorismo do Estado Islâmico. Simplesmente um testemunho imperdível! Ouça, compartilhe, debata e inspire para as próxima revolução!

 

Comuna

Detalhe de O Grito do Povo, de Jacques Tardi – clássico sobre A Comuna de Paris

2. HISTÓRIA. Mais uma tradução do pessoal da Biblioteca Terra Livre! Dessa vez, de um curta clássico sobre a Comuna de Paris!

Dirigido por Armand Guerra, o filme remonta os dias da Comuna de Paris. Em 1871, o povo de Paris, relegado à miséria e à exploração, sofrendo ainda com a recente derrota na guerra contra os alemães, revolta-se contra a República recém-instaurada por Adolphe Thiers. Com apoio da Guarda Nacional, os communards fundam um governo popular, coletivizam a produção, reformam o sistema educacional, entregam o poder ao povo. O sonho, que durou dois meses, tornou-se pesadelo quando as tropas do Governo de Thiers, saindo de Versalhes, invadem Paris e deixam um saldo de 30.000 mortos, entre homens, mulheres e crianças.

 

 

3. TEORIA. Entrevista muito boa com Harry Cleaver, um dos maiores nomes do autonomismo e autor do clássico Leitura Política de O Capital. Tradução e publicação do ótimo blog autonomista!

harry cleaver

Harry Cleaver – o bom velhinho da teoria autonomista

 

 

Qual é o papel da autonomia de classe aqui?

HC: O reconhecimento de como o capital buscou impor o trabalho para além do trabalho assalariado deve ser acompanhado pela mesma compreensão da classe trabalhadora de seu domínio no trabalho assalariado: ou seja, a de que a imposição sempre envolve a luta. Assim como os trabalhadores resistem à imposição do trabalho no interior da fábrica ou do escritório, com desacelerações da produção, greves, sabotagens e desvios, da mesma maneira os não-assalariados resistem à redução de suas vidas ao trabalho. É nesse ponto que a teoria autonomista vai além do impasse da teoria crítica. Ao invés de ficarmos fixados na hegemonia capitalista, com a onipresença e completude da dominação capitalista, devemos reconhecer e então articular o poder do povo de lutar contra sua redução a um mero trabalhador. Precisamente porque o capital busca intervir e moldar a vida inteira, a vida inteira se revolta, cada canto e esquina da vida se torna um lugar de insurreição contra essa subordinação. Donas de casa fazem greve no ambiente doméstico ou vão em ato dele para as ruas. Estudantes tomam aulas e escolas para criar “universidades livres” de oportunidades de ensino livres fora das instituições. Camponeses se recusam a subordinar sua produção (e, portanto, seu trabalho) ao mercado e colaboram para construir redes de ajuda mútua. Os “desempregados” se recusam a procurar empregos assalariados. A “cultura” se torna um terreno da mais dura luta de classes entre a liberação e a recuperação/instrumentalização. E daí em diante.

Você continua lendo esta extensa (e ótima!) entrevista aqui.

 

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