E Zás #53 – Mixtape do Raphão Alaafin e EP do Rashid

1. Desconhecido do grande público, provavelmente vocês conhecem Raphão Alaafin como o cara que fez as rimas mais loucas na superlativa “Mandume” do Emicida.

Sinceramente, não consigo entender ainda o porquê dele não ter alçado vôos mais altos – talento não falta pra ele. E muito menos trabalho!

E, acima de tudo,muita ideia boa ele ventila – como o “Primeiramente, Fora Temer” – no (Segundamente) RAP Game.

Até essa mania ridícula de um ficar conferindo as fezes do outro no rap já virou tema ótimo em suas mãos.

E, como MC H.Aço que se preze, tem muita ideia pra trocar!

E no fim do ano passado,lançou uma mixtape curtinha que ainda não fez o barulho que merece, Sampleando e Camelando (que pode ser baixada no site), parceria com Rodrigues BOMA e mixada pelo DJ Nyack.

Então é aquilo: tá cansado de Oriente, Costa Gold, Haikaiss e congêneres: dê uma chance pro Raphão: lírica pedra 90, flow engenhoso e batidas espertas. #ficaadica

2. Rashid pode até ser o menos conhecido dos 3 Temores (os outros são Emicida e Projota), mas está MUITO longe de ser o menos relevante. E, conforme foi crescendo como letrista, foi se tornando o mais amplamente político, com uma caneta pesada que vai o colocando como um representante da nova geração de uma linhagem que cabe tanto um GOG quanto um Eduardo (ex-Facção Central). Evidentemente, seus interesses são mais amplos, como mostra seu ousado álbum A Coragem da Luz, do início do ano passado.

Mas essa sua faceta política fica mais evidente em sua série de sons chamados “Diário de Bordo”, realizados com o DJ Caíque e são intervenções diretas e pontuais, quase um sumário do que se passava em tempo real. Ouvidas reunidas no EP “Diários de Bordo”, lançado recentemente, me deram, pela primeira vez, a dimensão do quão arguto e sagaz Rashid se tornou pra tratar de temáticas mais abertamente políticas. E é uma voz muito relevante pra tentar dar uma ordem nos fatos cada vez mais absurdos da realidade brasileira.

Pra fechar, o clipe de um dos sons onde sua lírica e engenho de criação foram mais longe – de deixar Mano Brown e Edi Rock orgulhosos!

 

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