E Zás #52 – Transtorninho Records e o noise punk do Bruxa Maria

1. Transtorninho Records é um selo de Recife que lança artistas do Brasil inteiro, com ênfase no lo fi. “Um selo feito por gente que gosta principalmente de música rock, mas também de esquisitices variadas em termos de som e imagem”, segundo a descrição no bandcamp do selo.

Minha artista predileta do selo é a Melinna. Se disco “Enquanto Não Durmo o Dia é o Mesmo” anda tocando muito por aqui, na maioria das vezes voz e guitarra, letras sem formato pré-definido, angústia existencial jovem bem resolvida e potente.”Pra mim, esse disco é sobre isso: falar com pessoas aleatórias que você quer tocar bateria e pedir pra elas lhe acompanharem. Isso e muito gosto por barulho, solos de guitarra, palavra falada, rap, lo-fi, feminismo, grunge e medo nenhum de falar o que tá sentindo. Escute o disco pensando nisso, e pensando que você também é isso – por mais que não seja. Pense na finitude das coisas; no cara que se diz pró-feminismo e nada faz a partir disso; na verdade pra fora, no desejo pra fora, na raiva pra fora, no conhecimento pra fora; nos seus medos; na confusão dentro da sua cabeça; na sua fragilidade e na sua força. Somos tudo isso!” é o que diz a apresentação do álbum no bandcamp da Melinna.

Outro que gostei muito foi o álbum “nada mais restará.” do Eliminadorzinho: noise e shoegaze com guitarra bem alta, explodindo no ouvido, pra fazer inveja a qualquer banda da Midsummer Madness lá dos anos 1990. “o álbum fala muito disso, desse conceito abstrato que envolve de morte e nascimento a procrastinação e tédio. a destruição de tudo para criar uma coisa nova” foi o que falaram sobre este trabalho. Dá pra definir juventude em 2017 em termos melhores?

Outro artista bacana que tá afundado numa onda noventista pós-hardcore + Fugazi é o Enema Noise, de Brasília. Pra quem curtia Diagonal, por exemplo, eis sua banda.

Amandinho é a banda do big boss da gravadora, Felipe Soares e lançou um discaço, “Rugbi Japonês”, que eu chamo de pop punk lo fi ultra jovem.

Segundo Fred Zgur no texto de apresentação do álbum, “(…) a grande conquista desse álbum talvez seja mais a maneira que ele foi feito do que pela sua sonoridade em si. Um disco cheio, com 11 faixas e 50 minutos, completamente gravado, mixado e masterizado em casa, com pouca ou nenhuma grana, comprovando de uma vez por todas aquela máxima já testada pela gorduratrans e que orienta todos os trampos do Lê Almeida: ‘a gente tinha um monte de música pra gravar e não tinha grana pra estúdio, daí fizemos em casa mesmo, no nosso quintal, na nossa garagem'”. Muita dorzinha de amor fugaz, angústia adolescente incontida e aquela vontade de transformar tudo isso em música pra se divertir em um palco ou garagem. Afinal,o que esperar além DISSO TUDO de uma banda com o nome genial de Amandinho?

2. Bruxa Maria já é outra história, outro papo. Inglaterra, banda densa, esporro comendo doido e bonito. Lá na Quietus, a vocalista da banda chama de “noise punk” – entenda-se uma mistura potente de Melvins com NoMeansNo, por exemplo. Anota a placa aí abaixo:

TRILHA SONORA
Bruxa Maria – Human Condition
A.X.L – A Vida de Axel Alberigi: Antes de Tudo
Lärm – Straight on View
Jonathan Tadeu – Queda Livre
A Slice Of Lemon: Kill Rock Stars (coletânea)
Laurel Aitken – The Pama Years
Ludus – The Damage
Kiko Dinucci – Cortes Curtos
International Hip Swing (coletânea)
Omega Tribe – No Love Lost
Autonomia – Escapando Al Silencio Impuesto
Smog – Red Apple Falls

ASSISTINDO
Colony (série de ficção científica – Netflix)

LENDO
Guy Debord – Complete Cinematic Works
José Raramago- Todos os Nomes

Anúncios