E Zás #51 – Efeitos colaterais do desastre de Mariana e Geração Perdida em BH

(Febre amarela e licenciamento ambiental menos rigorosa são efeitos do desastre de Mariana em MG? Conheça a “Geração Perdida” da música de Belo Horizonte)

1. O desastre ambiental em Mariana serviu pra quê? Temos duas respostas pra pergunta até o momento:
a) Oferecer um ambiente propício à reprodução da febre amarela!

“O aumento de casos suspeitos de febre amarela em Minas pode estar relacionado à tragédia de Mariana, em 2015, segundo a bióloga da Fiocruz Márcia Chame. A hipótese tem como ponto de partida a localização das cidades mineiras que identificaram até o momento casos de pacientes com sintomas da doença. Grande parte está na região próxima do Rio Doce, afetado pelo rompimento da Barragem de Fundão, em novembro de 2015. ‘Mudanças bruscas no ambiente provocam impacto na saúde dos animais, incluindo macacos. Com o estresse de desastres, com a falta de alimentos, eles se tornam mais suscetíveis a doenças, incluindo a febre amarela’”. E vocês podem continuar lendo aqui.

b) ao invés de demandar maior fiscalização, levar ao efeito contrário – diminuir os trâmites do licenciamento ambiental. Ao menos, é o que o governo estadual em Minas sugere:

“Na avaliação de Bruno Feigelson, advogado especializado no setor de mineração, a demora no processo de licenciamento não se deve apenas às novas regras que passaram a ser impostas em projetos que envolvem o uso de barragens de rejeito, mas também pelo receio de agentes públicos em autorizar novos projetos: ‘Tem havido uma resistência muito grande de expedição de licenças, principalmente em Minas, por conta do medo dos técnicos de serem responsabilizados e processados. Como são carreiras estáveis, não há estímulo para que esses profissionais ajam de outra forma'”. Leia  matéria toda aqui.

2. Ainda em Minas Gerais, mas agora falando de coisa boa,já ouviram falar da “Geração Perdida”, coletivo/movimento artístico de Minas Gerais? Em tempos de extremo individualismo, achei interessante uma galera conseguir se enxergar e praticar coletivamente o fazer artístico. Por outro lado, pouca coisa me animou pra valer, já que a produção é meio que calcada num existencialismo jovem de baixa intensidade, de fato não consegui me conectar a maioria das coisas que ouvi.

Assim, vou deixar três trabalhos que achei mais interessantes:

Pedro Flores é o ponto pra fora da curva. Viola caipira em contexto urbano, crônicas bem ajambradas e com uma certa desilusão e com um cronismo fotográfico que capturou como poucos Belo Horizonte e um certo sentido de ‘mineiridade’, como na letra da ótima “Belo Horizonte”: “Belo Horizonte é um ovo podre / com um boteco em cada esquina / e um conhecido em cada boteco / BH é um ovo podre./ Eu fecho os olhos e lembro do cheiro / do Rio Arrudas em pleno janeiro / calor e chuva o dia inteiro / e o mendigo pedindo dinheiro /
que ninguém nunca dá”.

Fernando Torres é um representante mais característico da produção do pessoal, realizando um indiepop lo-fi (uns chamam de sadcore) com atmosferas bonitas, deve ser bem gostoso de ver ao vivo.

O que achei mais bacana é essa série do Vitor Brauer chamada “História do Brasil”, recriando canções de artistas contemporâneos – a maioria nunca tinha ouvido falar – que dá uma ideia do universo musical que essa garotada transa.Ele também toca no Lupe da Lupe,o grupo mais conhecidinho dessa turma e que tem alguns discos interessantes.

O site Noisey fez essa boa matéria também sobre os representantes do “rock triste” belorizontino da Geração Perdida, escrita por Fabio carvalho, outro artista dessa turma.

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