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Escrevendo Um Livro – Parte I

Hey, hey, my my: a profecia se fez como o previsto!

Chegou a hora de lançar – finalmente!! – um livro só meu! Passado mais de dez anos desde a minha primeira participação em livro, tava mais do que na hora de deixar de ser consumidor para virar produtor desse objeto/mercadoria que merece tanto espaço em minha vida.

Inicialmente, era pra ser um livro sobre agroecologia. Pensando o tema politicamente de uma perspectiva de baixo e esquerdista. Não deixou de ser isso TAMBÉM, mas avançou para outras esferas: 1. algo que eu chamaria de uma arte de viver (Anticapitalista? Radical??), no sentido que os gregos atribuíam ao termo, mais especificamente os epicuristas (uma “estética de existência”); 2. e também está se tornando uma análise da nossa “civilização” derivada de um entendimento profundo da relação da ação antrópica na Natureza de um ponto de vista agroecológico como também uma celebração de formas como a humanidade manifesta sua resistência a esta civilização, e formas que apontem ou ensaiem sua superação. Este segundo incremento me pareceu fundamental após reler o Traité de savoir-vivre à l’usage des jeunes générations, de 1967, de Raoul Vaneigen, que, em suas edições para língua portuguesa, ganhou o título de “A Arte de Viver Para As Novas Gerações” e influenciou algo em minhas ideias, mas, sobretudo, m influenciou por seu estilo único e urgente.

Raoul mon amou!  <3

Raoul mon amou!❤

Compartilhar um pouco do processo de feitura do livro é também uma maneira de sair desse isolamento mental e obsessão que tomou conta de mim a partir do momento que abracei tal missão. De fato, já faz 3 meses que estive envolvido com a escritura de forma muito livre, inicialmente recolhendo e fichando biografia, depois pinçando citações, e ainda tentando estabelecer ligações/discussões desta obra com outros autores. Pra se ter uma ideia, passei por um período pesado de tentar entender, filtrar e colocar para o futuro leitor toda a discussão dos autores clássicos do socialismo sobre o camponês. Ainda que a discussão seja interessante, após cerca de 12 laudas de texto de Open Office, caiu a ficha que essa discussão era um “desvio” não necessariamente bem-vindo ao que deve ser este livro. Poder compartilhar esporadicamente o processo todo com vocês é também uma forma de diminuir a tensão e a frustração que a própria escritura nos impõe.

(Pergunta aos amigos escritores: essas “rasteiras” que o ato em si de escrever nos dá é natural ou estou, irremediavelmente, fazendo algo errado??)

A estrutura de capítulos do livro, pra vocês terem uma vaga ideia pra começarmos este diálogo, respondia a uma estutura mais ou menos assim – e que ainda norteia o que o livro vem se tornando (como verão em outros posts):

1. Apresentação
2. Onde estamos, para onde iremos?
3. O que é agroecologia?
4. Da cerca pra dentro
5. Da cerca pra fora
6. Agronegócio falocêntrico vs agroecologia, substantivo feminino
7. Agricultura familiar, agroecologia e políticas públicas
8. Universo agroecológico

Agora, nestas 3 semanas de férias universitárias, é o período de intensificação de produção, com as arestas encontradas até aqui devidamente aparadas, quero ter uns 80% da obra bruta concluída para que me reste apenas detalhes para finalizar em agosto e setembro.

O estado mental no que me encontro agora é interessantíssimo: um sujeito disperso como eu dormindo e acordando pensando em um só assunto, absorto na realização de algo que almeja durabilidade, transcendência. O “drop out” que eu realizei, saindo de uma vida intensamente urbana, para descobrir uma vocação e missão numa cidadezinha no interior de Minas é algo que nunca me passou pela cabeça: tornar-se um hippie punk rajneesh!

Mas o livro é, basicamente, para um público leitor que não tem interesse de abandonar os grandes centros, mas sabe que há uma transformação no campo que interessa a todos que pensam em outro modelo de vida social. Daí me coloquei alguns questionamentos: o que eles precisam saber? Como podem participar desse processo?

O que posso verificar em círculos mais progressistas é uma desinformação enorme sobre o que se passa no campo e um desconhecimento sobre formas como interagir que, mais do que pontuais, são absolutamente fundamentais para a realização de um projeto agroecológico.

Enfim: nos próximos posts vou falar tanto de minhas motivações subjetivas quanto mostrar alguns trechos e temas tratados por mim no livro. Me ajudem a não enlouquecer no processo!

Decidi escrever sobre o livro não por necessidade prévia de divulgação, mas por me sentir extremamente inspirado pelo blog da ex baterista do Spitboy! E tentarei, a cada post, publicar uma mixtape junto pra vocês escutarem e terem uma noção da trilha sonora que me faz companhia nesses dias solitários.

Nos falamos em breve!😉

 

Lunar Daniel Lucas
Electricity
 Captain Beefheart
I Have Dreamed Frank Sinatra
Fly Me To The Moon (In Other Words)Frank Sinatra
One More Hour Sleater-Kinney
Iniagige Salif Keita
Million Dollars Thinking Fellers Union Local 282
Cantarnos Andrew Hill
Complexo de Épico Tom Zé
Vapor Barato Gilberto Gil & Gal Gosta
Synergetic Durutti Column
Thief Of Fire The Pop Group
Camel Rise Hutcherson, Bobby
You Can’t Catch Me Chuck Berry
Heroes David Bowie
Reza Elis Regina e Jair Rodrigues
Cut Me Some Slack Dave Grohl, Krist Novoselic, Pat Smear & Paul McCartney
A Call To Arms No Class
Apenas Um Rapaz Latino Americano Dario Julio & Os Franciscanos
Lovers Of The World Unite David & Jonathan

3 pensamentos sobre “Escrevendo Um Livro – Parte I

  1. Melhor coisa do mundo é ver brotar um sonho debaixo do trabalho suado, pra ficar numa metáfora campesina. boto fé q vai rolar um negócio preza!

    Quanto às rasteiras, o processo de escritura comigo é meio assim também.. mta pesquisa, e um desejo de abraçar o mundo, só começo direcionar quando começo a escrever o texto. Em geral o que limita é algo externo, prazo pra entregar, outros projetos etc.. e isso é bom e ruim. Negócio é manter o foco e confiar no próprio julgamento.. quando tiver bom pra ti, é por que tá bom o negócio! ehehe

  2. Pingback: Escrevendo Um Livro – Parte II | Big Mouth Strikes Again!

  3. Pingback: Escrevendo Um Livro – Parte III | Big Mouth Strikes Again!

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