interstellar

Hollywood que faz pensar…

Ficção científica em alta voltagem! Interestelar, de todos os filmes hollywoodianos recentes que venho acompanhando em minhas idas à vídeolocadora, é de longe o melhor. Carrega aquele equilíbrio entre enredo e elenco que caracteriza boa parte dos bons épicos da mega indústria estadunidense, apela ao final a algum tipo de heroi redentor deles – o ótimo Matthew McConaughey recriando um John Wayne desse universo paralelo – mas talvez por ser contido demais e sem um par amoroso bem definido, ficou aquém de um Oscar. A bem da verdade, por trás da sobriedade como é conduzido, há um laivo de ousadia no filme do cineasta industrial Christopher Nolan.

A história: após ver a Terra consumindo boa parte de suas reservas naturais, um grupo de astronautas recebe a missão de verificar possíveis planetas para receberem a população mundial, possibilitando a continuação da espécie. Cooper (Matthew McConaughey) é chamado para liderar o grupo e aceita a missão sabendo que pode nunca mais ver os filhos. Ao lado de Brand (Anne Hathaway), Jenkins (Marlon Sanders) e Doyle (Wes Bentley), ele seguirá em busca de uma nova casa. Com o passar dos anos, sua filha Murph (Mackenzie Foy e Jessica Chastain) investirá numa própria jornada para também tentar salvar a população do planeta.

Fato é que ciência – especificamente astrofísica – é coisa séria no filme e o cotidiano do astronauta no espaço, segundos astronautas reais da Nasa, é muito mais fidedigno neste filme do que em “Gravidade”, um melodrama bem do marromeno, mas que guarda imageticamente uma experiência de “espaço sideral” mais acachapante do que em Interestelar – o que ao meu ver não o faz mais filme, obviamente. O astrofísico popstar Neil deGrasse Tyson, um grande entusiasta do filme, explicou muito da base científica do filme e aproveitou para listar 9 mistérios/erros do filme em seu twiter.

Mas há dois fatos de fundo – que são fundamentais para o andamento da trama – que me chamaram muito a atenção: a perspectiva apocalíptica ligada à manutenção da agricultura industrial (o nefasto agronegócio brasileiro) e a ideia que a técnica enquanto exclusividade para poucos leva irremediavelmente à tirania e a loucura. Dois temas caros às minhas pesquisas atuais que se tornarão livro em breve…

O crítico Inácio Araújo viu um antropocentrismo desmesurado no filme. E talvez o seja – mas não é algo que há de me incomodar. Boa pedida para os torrents da vida ou pra sua locadora. Vai por mim.

P.S: a imagem do filme que destaquei para este post não lembra a clássica imagem do Eternauta sobre o qual tratei aqui??

interestelar2