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Cinema em Casa: Louca Sabedoria – A Vida de Chogyam Trungpa Rinpoche

Chögyam Trungpa Rinpoche (1939-1987) foi um dos mestres importantes da linhagem Kagyü, uma das quatro escolas principais do budismo tibetano e conhecida por sua forte ênfase na prática da meditação. Foi um dos pioneiros em trazer os ensinamentos budistas do Tibete para o Ocidente, e a ele se deve a introdução de muitos conceitos budistas na língua inglesa.

Mas isso o tornaria mais um guru perdido na meiúca do século 20, mais uma caricatura fácil das aventuras religiosas que os jovens se embrenharam no Ocidente. O angu azeda porque Trungpa não era lá um cara muito ortodoxo, pra dizer o mínimo. A saber: quando foi para os Estados Unidos, ali na transição dos 1960/70, entrou de corpo e alma na curtição contracultural da rapaziada. Mas com força MESMO. Só que o fera era, pra usar um termo em voga, “de verdade” mesmo. O cara dominava prática meditativa como poucos e muito jovem já era um monge tibetano respeitado.

Ginsberg e Trungpa levando um papo numa riléqui.

Ginsberg e Trungpa levando um papo numa riléqui.

Foi ele que fundou a Universidade Naropa, primeira instituição de ensino superior de inspiração budista das Américas, que deu abrigo a cursos nada ortodoxos tocado por figuras como Allen Ginsberg, Anne Waldman, Gregory Corso e o temido William Burroughs.

Essa faceta é abordada au passant no documentário “Louca Sabedoria”, mas é bem descrita no relato autobiográfico “Quando Eu Era o Tal”, publicado em 2005 pela Planeta (e baratinho você encontra na internet), de Sam Kashner, primeiro aluno do curso doidão de literatura da Universidade Naropa e secretário particular de Ginsberg.

Particularmente, acho um personagem emblemático do “sonho” vívido dessa turma dos 60/70, um personagem de difícil caracterização, como o documentário deixa claro. Vale, antes de mais nada, pra chegar mais próximo de um entendimento do real espírito contracultural de então. Enjoy it!

OLHE POR TRÁS DA MÁSCARA DE SUA CONFUSÃO

Todos os seus planos e pensamentos e ideias são vazios! Se você olhar pelas costas, é como olhar para uma máscara. Se você olhar por trás de uma máscara, vê que ela é oca. Pode haver alguns buracos para as narinas e a boca, mas se olhar por trás, ela não se parece mais com um rosto. É apenas lixo, com buracos. Você percebe que está apenas criando absurdos, coisas inexistentes. Essa é a melhor proteção para cortar a confusão.