Encontro-sementes

Sementes Livres e Soberania Alimentar

Um bom tempo afastado do blog, mas cá estou de volta. Muitos sabem que abandonei a vida nos grandes centros e voltei a estudar – Gestão Ambiental, no Instituto Federal/Campus Inconfidentes. E nesse quase um ano que estou aqui nessa pequena cidade sul-mineira (cerca de 10 mil habitantes, da qual falei um pouco aqui), cultivo duas saudáveis obsessões: Mobilidade Urbana e suas consequências pra descatralização da vida cotidiana e a agroecologia. Eu poderia defender a agroecologia tendo em vista os males que seu antagonista direto proporciona ao país e ao mundo politicamente (pensem na bancada de 153 deputados conservadores do agronegócio no Brasil) ou, e muito mais urgente pra perpetuação de nossa espécie, em oposição aos agrotóxicos, que vem envenenando sistematicamente nossa população. E se você acha isso algo um tanto amalucado ou superlativo, pára tudo e assista estes dois documentários:


Mas este texto surge porque agora tenho um ENORME e PRECIOSO motivo pra convidar todo mundo preocupado com os destinos do planeta a fazer uma visitinha à Inconfidentes esta semana: o III Encontro Internacional da Rede de Sementes Livres e a IV Festa das Sementes Orgânicas e Biodinâmicas, que acontece entre os dias 22 a 23 de maio – no fim de semana, uma feira agroecológica acontecerá em Maria da Fé. As sementes livres são aquelas sementes conhecidas também como crioulas, tradicionais, livres de transgênicos e agrotóxicos. Este será o terceiro encontro internacional da Rede de Sementes Livres, que foi formada em agosto de 2012 no Peru, em Ollantaytambo uma cidade localizada no Vale Sagrado dos Incas. A Rede de Sementes Livres é integrada por agricultoras e agricultores dos países da América Latina, além de pesquisadores, estudantes e apoiadores, com o propósito de defender o patrimônio genético ancestral contido nas sementes e na agricultura tradicional ao redor do mundo.

rede sementes livres

Uma das líderes mundiais do movimento pelas sementes livres, a indiana Vandana Shiva (que tem um fundamental livro chamado Biopirataria cujo trecho pode ser lido aqui) , esteve presente na fundação da Rede e relembrou que o mercado de sementes do planeta é dominado por multinacionais que se apropriaram deste conhecimento. Hoje, a Rede congrega experiências da agroecologia, a luta pelo acesso à terra, a agricultura familiar, as ações pelo banimento dos transgênicos, cujo expoente é a Costa Rica, e guardiões de sementes em toda América do Sul. Pro encontro no Brasil, já há mais de 500 inscrições, entre integrantes da Via Campesina, MST, Estados Unidos da América, Canadá, França e diversos países latinos.

Não se inscreveu? Relaxa: vai ser possível fazer inscrição na hora. Um dos grandes lances neste encontro, além, obviamente da troca de informações e conhecimento, é poder comprar/trocar sementes e garantir a nossa soberania alimentar, apesar da avassaladora indústria do transgênico que atropela de norte a sul a agricultura no planeta e homogeniza a variedade de sementes no planeta.

Pode parecer exagero, mas este é um dos grandes acontecimentos no país, sobretudo pra quem preconiza uma vida mais digna e saudável pra si e para as próximas gerações. Para mais informações, clique aqui. Pra conhecer a Rede das Sementes Livres – além te diversas publicações sobre o assunto – clique aqui. A saber: “A Rede das Sementes Livres também unifica experiências agroecológicas e de defesa dos territórios da agricultura familiar. Na reunião seremos agricultores, pesquisadores, e empreendedores que amam suas sementes e aquilo que elas representam – independência, cultura, vida em uma palavra. Também estarão presentes os consumidores de alimentos saudáveis por elas geradas, e os apoiadores que vivem na área urbana e reconhecem nosso trabalho”.

Abaixo, alguns vídeos pra quem é leigo entender a ideia de sementes Livres e Soberania Alimentar. Espero vê-los em Inconfidentes!

 

SEMENTES LIVRES

 

SOBERANIA POPULAR