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Pozalégui Mon Amour VII

(acima: pintura de Rogério Barbosa)

2014 e cá estamos novamente falando de Pozalégui, a cidade que abraça o futuro!

O ano que passou deve ter sido o ano mais cheio em termos de atividades culturais indepedentes na cidade nos últimos 20 anos. Em volume e qualidade. Pumu se reinventando, Davi Bernardo dando continuidade ao seu pouco comentado ainda e mui inonador rock, um monte de lançamento virtual, Psilosamples seconsolidando como um dos maiores nomes da música eletrônica brasileira, Projeto Consonância botando o rap novamente na ordem do dia, Fulvio Faria e Dom Rafa apavorando nas apresentações ao vivo, Projeto Mujique crescendo, pro alto e avante e se reconfigurando… que ano, pqp! Sem contar o vasto cardápio de apresentações de artistas do Brasil e do mundo na cidade. Tudo para além do poder público, verdadeiramente fora Fora do Eixo!

Não canso de repetir: Pouso Alegre na música é a cidade mais de vanguarda no Brasil e uma pauta que tá ai pulando nos olhos cansados dos formadores de opinião, um fenômeno a ser estudado e divulgado! Pra uma cidade que já teve campos de concentração e que se orgulha de ter barrado a Intentona Comunista, até que chegamos longe!

Vamos à ordem do dia:

dj foi mal

1. Pra botar definitivamente pingos nos is, que fique registrado que há uma mão invisível responsável por 99,99% do que de melhor em música tem rolado na cidade, com RG reconhecido e muita cuca no lance: Pedro Vieira. Pedrão é agregador por natureza e corre pelo certo como 10 e 10 é 20! Faz anos que o que de melhor rola na cidade tem o pulso firme dele pra fazer as coisas rolarem. Então, é melhor anotar: quer REALMENTE entender o que vem acontecendo na cidade? Pergunte a quem conhece – e aproveite pra conhecer a magia da cachaça Coqueiro Velho, que também é a ele que devemos o conhecimento – e inebriamento – dessa iguaria fina da nossa região.

Como se não bastasse, ele ainda trabalha como VJ e produtor musical sob o incrível pseudônimo DJ Foi Mal, autodefinido como “Aphex Twin mistiçado com Natércia”. O cabra é fera demais!

2. Acho que não cheguei a comentar aqui, mas o Projeto Consonância lançou um EP cheio de gana chamado Borná (“borná” são as bolsas artesanais que o povo da região usa para carregar suas coisas, fazendo parte da sua rotina). Eles partiram pra ação direta, sem intermediários, fazendo shows em praças, escolas... onde abrissem espaço pro som deles. Não à-toa, tão fazendo um público cativo. É aquilo: quer ganhar o mundão? Vença primeiro na sua comunidade! Inspirador.

Pra fazer o download do EP, clique aqui.

 

 

3. Nosso maior contador de piadas e residente no cafofo que é base de operações da rapaziada, Fabiano Scodeler, que até outro dia ainda respondia pelo vulgo Projeto Mujique, começou uma nova etapa agora sob o nome In-diô. Antes da mudança, emplacou um belo trabalho pelo novo selo Propósito Records (” selo radicado na internet, com o objetivo de difundir gravações caseiras das mais diversificadas manifestações sonoras”).

O que importa é: se no plano pessoal o fera é conhecido por sua ancestral preguiça, quando o lance é fazer música, trabalha pra caramba, soltando material quase que semanalmente. E sempre olhando adiante! Confere aí!

4. Nas Artes Plásticas, graças ao empenho individual de Rogério Barbosa, a cidade teve um ano com ótimas exposições periódicas no espaço expositivo do Divina Maria Café. Cuidado e esmero nas montagens, ótima seleção de artistas e obras, dá realmente esperanças que o empenho individual do Rogério traga frutos futuros na cidade e balize uma reflexão sobre artes plásticas em Pouso Alegre e região.

Só que além de ser um curador exemplar (curador-coordenador na Divina Maria Café & Cultura nos últimos 3 anos, mas antes de tudo artista plástico desde 1993), tem um trabalho em pintura, sobretudo, fantástico. Infelizmente não pude acompanhar sua última exposição individual no instituto Moreira Salles de Poços de Caldas, mas conheço seu trabalho de visitas a seu ateliê e atesto e reconheço em cartório que a gente tem aqui na cidade mesmo um artista que dialoga com o que de melhor se produz em pintura nesse Brasilzão! (nota mental: passou da hora de um universo, música, dialogar com as artes plásticas local – tem a maior cara que daria um caldo bonito). 

Pra não dizer que isso é mania de mineiro em achar que até o Zé das Couves que é teu vizinho é uma força da natureza, uso como argumento de autoridade um belo texto do Pedro Meira Monteiro, professor de literatura brasileira em Princeton, nos Estados Unidos:

Os desenhos-pintura de Rogério Barbosa lembram que a arte aponta para dentro dela mesma. Entretanto, não se trata da velha máxima da arte pela arte. É mais estranho e sobretudo mais complicado que isso.
Trata-se da defesa da autonomia da ilustração, o que, convenhamos, é uma contradição em termos: se se trata de “ilustração”, é porque o desenho ilustra algo, apontando para o que está fora dele mesmo.
Mas e se a ilustração vai se tornando significativa em si mesma: nos riscos, na matéria, no peso, nos silêncios dos seus espaços? O que fazer da ilustração quando ela parece conversar não mais com o entorno, mas consigo própria?
O restante do texto você confere aqui.
5. E o Psilosamples? Bem, ele continua brilhando no mundão, dessa vez, em Florianópolis.

Veja os outros episódios da série:

Pozalégui Mon Amour – Um Poema Patriótico

Pozalégui Mon Amour VI
Pozalégui Mon Amour V
Pozalégui Mon Amour IV
Pozalégui Mon Amour III
Pozalégui Mon Amour II
Pozalégui Mon Amour 

Um pensamento sobre “Pozalégui Mon Amour VII

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