Arzach

3 Clássicos Pessoais – Rafael Campos Rocha

Inspirado em um post de rede social do amigo Pablo Ortellado, um dos responsáveis pelo ótimo livro 20 CENTAVOS (relato atento das manifestações de junho em São Paulo), onde escrevia sobre três obras que eram “livros do coração (…) pequenas pérolas que não tem ou já perderam o estatuto de clássico”, resolvi convidar amigos para se exercitarem nessa brincadeira. Nove já aceitaram e 5 já enviaram suas listas que, diga-se de passagem, estão ótimas e inspiradoras. Dois a cada semana.

Mas não tem como dar errado: quem aí que é louco por livros e não gosta de falar sobre seus “amigos” diletos?

Quem inaugura a série, é o parceiro Rafael Campos Rocha. Não sei como chamar aquele que é pai de Deus, Essa Gostosa, mas é o que ele é – além do pai do Joquinha, fã inabalável do Messi e, segundo as más línguas, um ótimo jogador de tarô. Obviamente, um dos maiores quadrinistas em atividade no país, por fim. Divirtam-se!

“Cara, lembro sempre de 3 livros, e que não leio a muito tempo. Todos eles foram consumidos principalmente no princípio da adolescência. A minha ideia de clássico é algo que forma o seu caráter e modifica a sua vida.

As Sete Faces do Doutor Lao, Charles G. Finney (Francisco Alves Editora, esgotado).

é um livro doido, que fizeram um filme depois. lembro bem de cada passagem, e não abro ele desde os anos 90, quando perdi o meu exemplar. Lembro bem do sátiro, do diálgo com a cobra e do sensacional adivinho que diz que a vida da pessoa vai ser uma merda medíocre. Tem um personagem que as pessoas não sabem se é um russo, um urso e um lobisomem. por sinal, tem uma lobisomem que quando se transforma, as pessoas vaiam, porque é uma velhinha de 90 anos e todos queriam um brotinho pelada. O show pornô é um sacrifício ao vivo de alguma civilização exótica. mas eu lembro mesmo do glossário no final. Quase tão genial quanto o “Dicionário das Ideias Feitas”, do Flaubert. eu devia ser muito jovem, uns 11 anos, na primeira vez que li. Se muito.

Arzach e Garagem Hermética, Moebius (Editora Nemo)

Um amigo do meu pai me deu quando eu era criança. Lembro até hoje do que ele disse: “ele faz umas texturas que parece que os personagens vão pular do papel”. Eu não devia ter onze anos, sei lá. Nunca mais a minha vida foi a mesma. Sabia que estava condenado. Talvez Arzach não tenha somente sido o livro mais importante da minha vida, mas o evento.

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O Guia do Mochileiro das Galáxias, Douglas Adams (Editora Arqueiro).

Faz mais de 30 anos que li o primeiro, o segundo, o terceiro e anos depois os últimos livros. Esse reli recentemente. Ainda acho das coisas mais terrivelmente engraçadas que alguém já fez. Também é das mais tristes. Na época, eu ainda achava que faria coisas grandiosas e o mundo seria destruído. Nenhuma das coisas aconteceu e eu me lamento disso até hoje.

Bom, pelo visto, todas as coisas interessantes aconteceram na minha vida até os 12 e depois dos 40.”

Um pensamento sobre “3 Clássicos Pessoais – Rafael Campos Rocha

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