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Dossiê: Levante Zapatista 20 Anos!

Nós, homens e mulheres íntegros e livres, estamos conscientes de que a guerra que declaramos é uma medida extrema, porém justa. Há muitos anos os ditadores estão aplicando uma guerra genocida não declarada contra nossos povos. Por isso, pedimos sua participação decidida, apoiando este plano do povo mexicano que luta por trabalho, terra, teto, alimentação, saúde, educação, independência, liberdade, democracia, justiça e paz. Declaramos a intenção de não deixarmos de lutar até conseguirmos o cumprimento destas demandas básicas, formando um governo livre e democrático em nosso país! – Subcomandante Marcos

O Zapatismo não é uma doutrina, é uma intuição – Subcomandante Marcos

Os zapatistas estão em Chiapas, mas eles estão por toda parte.
Eles são poucos, mas eles têm muitos embaixadores espontâneos.
Nenhum nome tem estes embaixadores, e assim ninguém pode descartá-los.
Uma vez que ninguém lhes paga, ninguém pode contá-los. Ou comprá-los.  – El Desafío , Eduardo Galeano

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Atualização I: 08/01/14: ótima matéria da VICE com histórico dos 20 anos (em belas fotografias) e uma rápida análise da difícil situação atual.

1 de Janeiro de 2014: 20 anos do levante zapatista na Selva Lancadonia, em Chiapas, sul do México. Lembro como se fosse ontem! E a inspiração hoje é tão forte quanto a de outrora. Por um mundo onde caibam todos os mundos. Viva o Exército Zapatista de Libertação Nacional.

Abaixo, uma rápida seleção do que melhor apareceu na internet sobre as duas décadas de um pedaço de terra auto-governado, autônomo, para além da lógica perversa do capitalismo. Leia, se informe e dissemine conhecimento!

“San Cristobal de Las Casas, Chiapas., 30 de dezembro. Contra reinteradas versões que dificilmente podem ser verificadas frente a realidade, as comunidades autônomas zapatistas vivem sem a assistência do governo (ao contrário do governo mexicano, que responde às demandas originais desses povos com guerra de baixa intensidade constante), conseguindo levantar um processo de auto-governo, em que dezenas de novos assentamentos foram fundados na terra recuperada após o levante de 1994”. O restante da reportagem do jornal mexicano La Jornada você lê aqui

Para o geógrafo britânico David Harvey, “Zapatismo foi um movimento indígena com características ocidentais”. Ele fala da influência e possíveis limites da experiência zapatista também: “Os zapatistas só queriam autonomia, e isso foi atraente para muitas pessoas ao redor do mundo. Eles estavam, desta forma, se protegendo da exploração. Quando se faz isso, você mantém-se fora dos limites, mas isso também gera muitos problemas.” O restante da entrevista você pode ler aqui.

Na reportagem “Zapatismo, vinte anos depois”, diz-se que o levante, ocorrido no México em janeiro de 1994, influenciou a esquerda política em todo o mundo e até mesmo as manifestações de junho no Brasil – o que só um cego não identificaria. Destaque para declarações do MPL (“Costumamos dizer que a horizontalidade é um horizonte, um ideal que devemos perseguir ativamente. A cada vez que relaxamos, facilmente terminamos por reproduzir essas práticas [hierarquizadas]. Por isso, a horizontalidade é algo ativo. É um combate constante contra a hierarquiazação a que nos empurram a todo momento”) e da rede Extremo Sul. Novamente, a questão da autonomia é o mote da reportagem:

“Quem chega perto das terras em Chiapas encontra placas com a inscrição: ‘Esta usted en territorio zapatista em rebeldia, aqui manda el pueblo y el governo obedece.’ Lá dentro, os zapatistas mantêm a educação, o judiciário, e tudo o que for possível em seu próprio controle. Os zapatistas não tentam tomar o controle do Estado mexicano e não disputam eleições, tentando manter o poder onde se encontram”.

Fazendo coro à tônica da reportagem da Carta Capital, o portal Terra publica uma reportagem da BBC chamada “Vinte anos após levante, zapatistas têm ‘independência’ no sul do México”, ressaltando novamente a ideia de mudar o mundo sem tomar o poder: “Desde o fim do confronto, os Zapatistas criaram municipalidades autônomas, chamadas caracoles, independentes do governo local e estabelecidas em terras que eles conseguiram retomar de latifundiários nos anos 1990”. Você lê a reportagem completa aqui.

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Definitivamente, o portal ROAR Magazine deu a melhor visão de conjunto da revolução zapatista. Na reportagem principal, “Uma breve história do Exército Zapatista de Libertação Nacional”, de Raúl Romero aponta que “atrás do EZLN, encontra-se uma complexa rede de visões políticas e culturais que se estendem muito além da resistência indígena e falando a emancipação universal”. Leia o restante AQUI e leia os demais textos nos links relacionados no site. IMPERDÍVEL.

E o icônico Subcomandante Marcos reaparece nos 20 anos do levante zapatista, com um novo e extenso comunicado – pra variar, inspirador:

“Me parece que temos confundido muito esta questão da Vida e da Morte. Me parece que o que chamam de minha sombra aqui na terra é minha substância autêntica”, diz a prosa de Melville. A de Marcos completa o resto do comunicado. O subcomandante, que há uns cinco anos não aparecia em público, escreve: “É território zapatista, é Chiapas, é México, é América Latina, é a Terra. E é dezembro de 2013, faz frio como há 20 anos, e, como então, hoje há uma bandeira que nos cobre: a da rebeldia”. O restante você pode ler no site da Agência Carta Maior.

Para as encapuzadas e os encapuzados de cá, a luta que vale não é a que se tem ganhado ou perdido, é a que segue, e para ela se preparam os calendários e as geografias. – Subcomandante Marcos

No portal EBC, destaca-se que “vinte anos após levante armado, zapatistas mantém região autônoma”. E ainda: “Em dezembro de 1994, os zapatistas ocuparam posições em 38 municípios no estado de Chiapas, declarando-os “autônomos e rebeldes”. Destes, 27 permanecem em poder dos zapatistas e são administrados pelas “Juntas de Bom Governo”, formadas por representantes populares”. Você pode ler mais sobre as “Juntas de Bom Governo” aqui.

O ótimo portal da Al-Jazeera pergunta: “Rebeldes zapatistas do México ainda são relevantes? 

“Hoje a rebelião continua a ser um trabalho em andamento. Tendo estabelecido a autonomia política e econômica completa, os zapatistas governar e policiar suas próprias comunidades através de cinco regiões de Chiapas. As relações com o Estado permanecer tensa, e zapatistas se queixam de assédio regular, as forças militares e paramilitares que cercam seu território.

Apesar de desconfiar de estranhos e, especialmente, os meios de comunicação, os zapatistas, por vezes, permitir que os simpatizantes e até turistas curiosos para visitar Oventic, uma comunidade tranquila nas terras altas cobertas de pinheiros. Se for permitido entrada pelos guardas mascarados mas desarmados, os visitantes podem ter a possibilidade de falar com o Conselho do BCE, comprar produtos locais e visualizar uma escola onde as crianças são ensinadas em espanhol e sua língua nativa Tzotzil. Os hóspedes que adoecem são atendidos na clínica.”

Leia o restante aqui.

VÍDEOS

Zapatistas! (1999)

(do release) “Os Zapatistas são uma grande lição de vida para todos os povos do mundo, que cada vez estão mais a mercê dos interesses das grandes corporações. Eles representam o inconformismo de uma população decorrente do Acordo de Livre Comércio, a Nafta, e a consequente ameaça de destruição de seus recursos naturais, sua cultura local, seus meios de sobrevivência. Além disso, eles lutam não apenas por um país mais justo, mas sim por um mundo mais justo. Como disse Manu Chao, a Europa só despertou para as reais implicações da Globalização para a população mundial quando ouviu os indígenas da Selva dos Chiapas. Suas mensagens são de justiça, amor e fraternidade global.

Por isso foi tão combatido pelo governo autoritário do México com o apoio financeiro e logístico dos EUA com uma gigantesca força militar e policial para acabar com o movimento, que por sua vez não disparou sequer um tiro.

Hoje o México é o segundo país latino-americano em violação dos direitos humanos ficando apenas atrás da Colômbia. Prisões ilegais, torturas, assassinatos, contratação de paramilitares, incêndio nas propriedades locais, estupros, propaganda midiática, etc. são algumas das ações praticadas pelo Governo contra os indígenas em nome dos interesses das corporações.

Marcos Aqui Estamos

Um Lugar Chamado Chiapas (1998)

(do release) Em 1º de janeiro de 1994, o Exército Zapatista de Libertação Nacional, composto de índios Maias pobres do estado de Chiapas, tomou cinco cidades e mais de 500 fazendas no sul do México. O Governo enviou suas tropas, e pelo menos 145 pessoas morreram na batalha que se seguiu. Lutando por indígenas mexicanos para recuperar o controle sobre suas vidas e sua terra, o Exército Zapatista, liderado pelo carismático guerrilheiro poeta Subcomandante Marcos, começou a enviar sua mensagem ao mundo através da Internet. O resultado foi o que o The New York Times chamou de “a primeira revolução do mundo pós-moderno”. A cineasta Nettie Wild viajou para os “canyons” da selva do sul do México para filmar a vida indescritível e frágil da insurreição. Sua câmera de forma eficaz e comovente capta as dimensões humanas por trás desta guerra de símbolos.

EZLN – ZAPATISTAS – Autonomía Zapatista.

ÁUDIO

Declaración de la Selva Lacandona (Audio original 1 de enero de 1994)

Entrevista inédita al subcomandante Marcos: Origen y balance de la guerra de 1994

“Nuestro análisis político sobre la situación en la que íbamos a estallar se quedó corto. Calculábamos que había descontento y que iba a atraer simpatías el hecho de que alguien se levantara a protestar, pero no a tal grado de lo que ocurrió”. Ouça o restante AQUI.

 

MÚSICA

Hino Zapatista

O Rhythm Activism – um combo canadense que foi muito próximo do The Ex e Dog Faced Hermans nos 90 – fez um álbum todo dedicado aos zapatistas. Abaixo 3 canções:

E, obviamente, Manu Chao: