Roberto-Piva

Quando Que Bonus Dormitat Homerus – VI

[“Também o bom Homero cochila”. Expressão de Horácio, que expressa a ideia que a perfeição absoluta não existe em poesia; assim sendo, até o grande Homero comete suas falhas. Quer ter seu poema publicado aqui? Entre em contato! Regozijai-vos, plebeus!]

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Roberto Piva foi o poeta das grandes cidades, do desencontro e do encontro, da cidade erotizada, dionisíaca, transitória e em transe. Seu primeiro livro, Paranoia, de 1963, é um marco da poesia moderna, a verdadeira completa tradução de São Paulo – ou, ao menos, a São Paulo noturna, dos vencidos. É a poesia em estado de orgia: “A orgia admite muitas interpretações. O Breton, por exemplo, diz que a poesia é a mais fascinante orgia ao alcance do homem. Eu fiz muitas orgias, mas não proponho isso para ninguém, porque muitas vezes as pessoas não estão interessadas. Quando escrevo, não estou propondo nada, estou relatando experiências. Meus textos não possuem caráter prescritivo, muito pelo contrário. Quero que cada vez menos gente se interesse pela orgia sexual, para sobrar mais para mim (risos)”, como declarado em entrevista de 2000.

O poeta se foi em 2010. Sua poesia permanece, intacta.

Abaixo, o filme “Assombração Urbana com Roberto Piva” e dois poemas de sua última fase.

O INFERNO MUSICAL

 As horríveis pianolas

de câncer

descendo várias semínimas

Até  o galo

ondas de meu agrado

&  sempre

Sonorizando a Hara Premeditada

OS QUINZE VELOCÍPEDES

NA LADEIRA

DO AMOR

Como um Mar de bocas

tóxicas de sagitários

Ondulando nas almas

Que dançam despidas

MONSTROS GIRATÓRIOS

Pijamas

ANTINOUS

(movimento de árvores)

são questões

terça-feira eu prefiro você bem

louco

minha palavra & nada que você acredita

poderá acontecer: outras olhos injetados Hegel

durma com suas violetas do subúrbio

a cidade tosse como

um índio com febre

São Paulo acorda em suas coxas

docemente

banho quente com vapor

Em espiral flocos de

samambaias eróticas

assim que você espreguiçar eu estarei

sangrando

Baudelaire sangrou na ponte negra do Sena.

molécula  procurando a brecha do

universo & suas trezentas flores

Assim é a lucidez,

O swing das Fleurs du Mal.

Completa tortura roendo a realidade

&

l´ limmense gouffre.

todas as paixões/ convulsões no

espelho. Baudelaire & ses fatigues

rumo á pálida estrela.

Quer mais poesia?

Quando que bonus dormitat Homerus – I

Quando que bonus dormitat Homerus – II

Quando que bonus dormitat Homerus – III 

Quando que bonus dormitat Homerus – IV

Quando que bonus dormitat Homerus – IV

 Quando que bonus dormitat Homerus – V