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Haverá Futuro…

Haverá futuro para o sonho americano?

Como tudo o que envolve Estados Unidos da América, há um erro de premissa na expressão acima evidente: “americanos” somos todos os que vivemos nas Américas, sejamos cubanos, venezuelanos, canadenses, ESTADUNIDENSES ou brasileiros, por exemplo. A questão é, ao fim e ao cabo, só uma: nunca houve esse sonho americano cantado em prosa, poesia e película. É o caso de uma mentira, que em determinados momentos se aproximou sim de uma verdade concreta, tornada consensual por sua repetição. E não há como determinar culpados nesse consenso manufaturado (essa operação na qual estadunidenses são primorosos) vendido até hoje no mundo ocidental. Cada vez com menos eficácia, é bom que se diga.

 

País com a maior população prisional do mundo; 22% das crianças estadunidenses vive abaixo do limiar da pobreza; entre 1890 e 2012, os EUA invadiram ou bombardearam 149 países, e foram fundados sobre o genocídio de 10 milhões de nativos. Esses são só 4 de 10 itens listados em um site para questionar esse paraíso na terra que muitos atribuem aos EUA.

 

Esse sonho reverbera sobretudo na nossa indústria de consciência. Horrores locais são rotina, os horrores de lá são fatos extraordinários e noticiáveis. Afinal, Bob Fernandes explica que “os três mortos de Boston tem rosto, nome e estão nas manchetes. Por que os 4 mortos de Osasco, os 30 de Goiânia e os 72 da Bahia são apenas estatística? Por que são mortos sem nome e sem rosto? Por que três mortos em Boston são mais importantes como notícia do que os 4 mortos de Osasco, ou os 30 de Goiânia?”

 

 

Com a imprensa investigativa cada vez mais desestruturada e uma doutrina caseira onde se pune até delitos de opinião, é pouco provável que em um espaço de 10 anos (pra ser otimista) algo venha a tona em relação ao atentado de Boston que desminta o circo operado pela “inteligência” de sua polícia. Mais do que as teorias conspiratórias em torno do 11 de setembro ou sobre a morte de Osama Bin Laden (o “perigoso” inimigo número um dos EUA treinados por eles mesmos na luta contra o comunismo russo em 1979), tá muito evidente, desde o primeiro momento, que mesmo os supostos terroristas não sejam os irmãos apontados pelos Estados Unidos da América. É um tanto aterrador acompanhar esse dossiê criado por hackers a revelia do FBI/CIA. Olhem antes que saia do ar. Um exemplo gritante: a semelhança entre os restos da bolsa onde supostamente explodiu a mochila e a de agentes do CRAFT vistos próximos ao local do incidente.

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Outro fato frequentemente omitido, é que Tamerlan, o irmão mais velho, se tornou agente-colaborador do FBI desde 2011:

“Simultaneamente, o FBI foi obrigado a admitir que, no início de 2011 aceitou o pedido de “um governo estrangeiro” (expressão-código para “Rússia”) para não perder de vista o mais velho dos irmãos, Tamerlan. Aparentemente foi o que fizeram – e nada encontraram que sugerisse atividade terrorista.

 

Assim sendo, o que aconteceu depois? Alguém no FBI, dos que têm QI superior a 50, devem ter percebido que, por causa do pedido dos russos, o FBI “descobrira” um precioso “operativo” checheno-americano. E Tamerlan tornou-se informante do FBI. Podia ser tocado como se toca rabeca, para produzir qualquer som – como tantos outros tolos antes dele.

 

Portanto, se não o afinaram corretamente, pode-se acusar o FBI, com todo o direito, de incompetência devastadora (e não seria a primeira vez). Porque o FBI está dizendo agora que jamais suspeitou de que seu “operativo” estivesse construindo alguma bomba, que desejasse testá-la ou que andasse de bomba da mochila pelas calçadas da Maratona de Boston”.

 

Vocês podem ler a matéria toda de Pepe Escobar aqui.

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Esse espetáculo em 5 atos tá longe de acabar, mas o fato maior é que enterra qualquer esperança de um Obama como um político “diferente”, que retomaria ideias supostamente mais “nobres” dos democratas locais. Claro, há sempre a grita dos famintos por teorias conspiratórias que acaba por tirar muito da credibilidade de qualquer investigação independente. Afinal, estamos a acostumados a nos ancorar em “fontes confiáveis”. O problema é que o governo ianque não é fonte confiável desde quando começou a relatar os embates das tropas de Custer com os ameríndios estadunidenses.

E Guantánamo continua a gritar sob os ombros de Obama, aos olhos do mundo, por exemplo.

 

(vale lembrar que Caetano erra em algo primordial: serão todos “terroristas” os presos de Guantánamo?)

O rap, a CNN do gueto, ainda que amplamente dividido sobre o tema “Obama” (afinal, como peitar o fato inconteste que um presidente negro representa um avanço no imaginário coletivo incrível?), já encontra potentes petardos na voz de M-1 e Lupe Fiasco, ao lado do rapper inglês socialista Lowkey. Como diria um verso do Fugazi, “mantenha seus olhos abertos” e comece a crer em sonhos mais plausíveis…