libertarias

Cinema em Casa: Libertários

Se o último CINEMA EM CASA deste blog apresentou uma série de documentários sobre samba  como aperitivo para cair na folia do carnaval 2013, desta vez, apresento à vocês os primórdios do feminismo, em sua versão libertária e a moda espanhola. Raciocinem: início de século 20, a Espanha de seu catolicismo mega tradicional, surge um grupo de mulheres pra mostrar que os direitos e deveres entre gêneros são equivalentes. Se a mulher ainda hoje sofre todos os tipos de violência e imposições possíveis, imagine neste espaço/tempo??

Os filmes falam por si só. Vejamos:

Indomáveis, Uma História de Mulheres Livres. (da sinopse no youtube) “Em meados de maio de 1936 aparecia o primeiro número da revista Mujeres Libres. Um ano depois, em agosto de 1937, se celebrava em Valencia o primeiro congresso estatal da Federação Nacional de Mulheres Livres, uma organização feminista de corte anarquista que tinha por objetivo que as mulheres se liberassem por elas mesmas da cruel servidão da ignorância. Esquecidas até por seus próprios companheiros Mujeres Libres chegou a contar com mais de 20.000 afiliadas. O turbilhão da guerra não lhes permitiu desenvolver seu programa “em paz”, mas nada nem ninguém pode impedir que germinasse a semente que carregavam em suas entranhas. O objetivo deste trabalho é, além de resgatar dos esquecimento estas mulheres, denunciar a invisibilização a que se submetem, não só a Mujeres Libres como também a outras mulheres e grupos de mulheres que por coerência levaram até o final sua dissidência e se mantém as margens de estruturas pré-estabelecidas”.

 

 

 

Já o Libertárias, de Vicente Aranda, é uma ficção tendo como mote a ação das Mujeres Libres durante a Guerra Civil Espanhola. Triste, como o foi a guerra e suas sequelas, mas é primoroso em elucidar de forma perspicaz conflitos e dilemas mostrados no documentário acima.

 

Já o curta Darwin e Kropotkin: Competição ou Solidariedade? vem como aperitivo, e mostra uma conversa fictícia entre Darwin e Kropotkin sobre a evolução dos animais. Kropotkin, um dos maiores pensadores do anarquismo tradicional (e citado em passagem emocionante no filme Libertárias), era profundo admirador de Darwin, e apresenta suas teses criticando a influência de Malthus na teoria de Darwin e exemplifica como o apoio mútuo, foi em muitos casos, um dos principais fatores de sobrevivência e evolução de algumas espécies. Este curta e o documentário acima foram legendados pelo povo da Biblioteca Terra Livre.

 

Pra fechar, um filme raríssimo com imagens do funeral de Kropotkin em 1921, na Rússia. Os anarquistas, perseguidos pelo regime bolchevique de Lênin, ganharam permissão para seguir o cotejo público com suas bandeiras negras, prestando uma última homenagem ao “príncipe anarquista”. Conta-se que cerca de 30 mil pessoas participaram do funeral. Kropotkin, logo após a revolução russa, foi convidado a se reunir com Lênin por duas ocasiões. Pouco depois, já apresentava desânimo com o regime bolchevique e, de certa forma, retirou-se da vida pública em seguida, vivendo isolado numa pequena vila nos arredores de Moscou. Os anarquistas não receberam refresco depois do funeral e encontraram um fim trágico em 1924, quando o exército vermelho sob comando de Leon Trótski massacrou o exército do líder anarquista Nestor Makhno, que havia expulsado o exército branco na região da Ucrânia por anos a fio durante o período pós-revolução de 17.