anarquistas

E… Zás!! #21 – Uma geral no que anda rolando!

1. Essa claque que se aventura nas festas de rua no centro de São Paulo – usando a etiqueta (mezzo)radical-chique do Baixo Centro mereceu reflexão interessante da revista online Zagaia:

 

“No caso do Centro, dançar nas ruas sem rancor, dizer que existe amor (e diálogo) em SP soa até a cinismo se lembrarmos que até então a dita “Cracolândia” seria vítima de uma das políticas mais reacionárias do Brasil “democrático”, que favelas, como a do Moinho, foram incendiadas com fins evidentes de especulação imobiliária. Festejar por festejar em lugares marcados por crimes como estes lembra um pouco aqueles tours que se fazem pelas favelas do Rio de Janeiro, alimentando a curiosidade dos que dificilmente se aventuram pelas quebradas. A perversão fetichista de tudo isso é que festejar por festejar é ocupar por ocupar, indiferentemente de quem já ali habita há anos e que sistematicamente é deixado a esmo. As pessoas que festejam têm a oportunidade de mostrar a exuberância de sua cultura para os que ali vivem. Depois da festa, o despojo.”

 

E não é o caso de criminalizar a festa. Entenda mais lendo o texto “Depois da Festa, Os despojos”.

Quando o assunto é Virada Cultural, saber votar faz a diferença...

Quando o assunto é Virada Cultural, saber votar faz a diferença…

2. Enquanto no Viradão Carioca os músicos da Abayomy Afrobeat Orquestra são agredidos por membros da própria organização do evento, na Virada Cultural paulistana, o poder público faz as pazes com o grupo mais importante da cidade nos últimos 20 anos, os Racionais MCs.

Dá pra dizer que ao menos no campo simbólico a administração petista de Fernando Haddad em São Paulo vai ganhando pontos importantes – e históricos!

caetano-veloso

3. Caetano é incontornável. Caetano é o ícone da velha e carcomida MPB que eu mantenho a mais intensa relação de amor/ódio. Vale dizer, amar MUITO mais que odiar. Porque, na minha opinião, ele é exatamente o que diz a primeira frase de seu verbete no All Music Guide: “Um verdadeiro peso pesado, Caetano Veloso é um músico pop / poeta / cineasta / ativista político (Opa, essa parte eu não subscrevo!!) cuja estatura no panteão dos músicos pop internacionais está a altura de um Bob Dylan , Bob Marley e Lennon /McCartney”.

Aos seus 70 anos de idade, Caetano Veloso ainda é mais digno de atenção e reverbera muito mais o mundo ao seu redor que 99% dos artistas jovens que se metem a fazer música popular. Obviamente, os Racionais citados lá em cima estão nos 1% dessa conta. O clipe da belíssima canção “A Bossa Nova É Foda” tem tudo pra marcar essa fase inesquecível da carreira do artista baiano, realizada com a trilogia , Zii e Zie (que ganhou também um Ao Vivo e é o mais fraco em minha opinião) e o recente Abraçaço. Caetano Veloso é foda!

 

 

4. O Rafa Campos Rocha é um dos artistas mais incríveis da atualidade, seguindo sempre a máxima da baderna/descontração do “Vá aonde há silêncio e diga alguma coisa”. Sua musa sagrada – sem trocadilhos – Deus, Essa Gostosa, é sua válvula pra jogar aos incautos algumas dessas verdades insuportáveis que fazem falta ao mundo – isso tudo dentro de um imaginário que cabe fantasia e homenagem às suas bandas punks femininas prediletas. Dito isto, não é de espantar que tenha sido ele a me mostrar a obra “Os Anarquistas”, de Santiago Sierra: “Meia noite do dia 25 de dezembro de 2006. Foram convocados 8 anarquistas militantes para escutar a Missa do Galo. Cada um vestia um chapeu negro e receberam 100 euros pela participação cada um”. O resultado você vê abaixo:

 

 

5. Não canso de falar: Sarau da Cooperifa é o evento cultural mais importante da capital paulista. Ponto. No vídeo abaixo, uma reportagem da Globo, o Sarau reuniu, como reúne quase todas as quartas-feiras lá no bar do Zé Batidão, 500 pessoas em torno da poesia, para prestigiar, o que deve ser a noite mais bonita do mundo naquele instante: o Poesia no ar. Uma vez por ano, eles enchem balões de gás que carregam uma poesia cada. Quem tiver muita sorte, pode acordar e achar um poema em seu quintal, na rua ou na escola, quem sabe? Uh, Cooperifa! Uh, Cooperifa! De povo lindo, povo inteligente!