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Thatcher, Inimiga do Povo II

Eu já tinha tratado mui “respeitosamente” da morte de Margaret Thatcher, o principal ícone do “sucesso” neoliberal. Sucesso no caso significa, em palavras rápidas e rasteiras, botar pra fuder com os direitos dos trabalhadores e repassar tudo o possível do Estado para a mão dos 1% que comandam o capital transnacional privado. Assim, sem meias palavras e sem massagem.

 

Mas estava guardando uma BAITA presente pra dividir com vocês em relação ao tema. E no meio do caminho ainda surgiram todas essas notícias bacanas, como por exemplo:

 

1. O divertido site Margaret Thatcher is Dead.

 

2. Este lindo texto, “We Are All Thatcherites Now”, do The Nation sobre como todo mundo agora é fã da Dama de Ferro.

 

3. O idiossincrático heroi da classe trabalhadora inglesa, Morrissey, um poço de sacadas contra realeza, onívoros e inimigos do povo, publicou um comunicado LINDO sobre Thatcher e enumerou virtudes da falecida. A saber: “Todas as ações dela eram carregadas de negatividade; ela destruiu a indústria de manufatura britânica; ela odiava os mineiros, ela odiava as artes, ela odiava aqueles que lutam pela independência da Irlanda e permitia que morressem, ela odiava os britânicos pobres e nunca fez algo para ajudá-los”. Você pode ler a carta na íntegra aqui.

 

4. Daquelas notícias pra ler gargalhando: “Morte de Thatcher impulsiona vendas de canção sobre bruxa de ‘O Mágico de Oz’”.

 

5. E o Paulo Henrique Amorim mostra a reação em pub inglês à notícia da morte de Thatcher, “levemente” diferente da reação compungida do quarto poder nativo.

 

6. O meu camarada Raphael “Tim”, o maior peso-pesado da fanfarronagem esquerdista, resolveu responder ao meu questionamento no outro post sobre o assunto a respeeito de músicas que tratam da era FHC – a nossa versão PHD/tropical da Margaret Thatcher. Outros me mandaram algumas sugestões, mas esse som do GOG que ele sugeriu fecha a tampa sobre o assunto:

 

7. (ATUALIZAÇÃO com sugestões do amigo Frederico Freitas: texto do Glenn Greenwald sobre a hagiografia que está sendo escrita após a morte da Bruxa, e liçãozinha para feministas neo-liberais de como a velha não era nada feminista – afinal, apesar de neo-liberal no sentido econômico, a bruxa era do partido CONSERVADOR britânico)

Pra finalizar, o TRUNFO lá do início…

 

Em março de 2009, o finado combo inglês Chumbawamba (para este escriba, o maior grupo de agitação e propaganda da história da música pop ocidental), botou em pré-venda em seu site, um EP para celebrar a morte de Thatcher. Por 5 libras, quem comprasse receberia o EP assim que anunciassem a morte dela. Passados 4 anos, eis que ela passou dessa para fazer companhia ao grupo de carteado de Pinochet, Stálin e Hitler, em alguma dimensão que prefiro não nomear e eles publicaram o segundo comunicado, que aqui vai na íntegra em inglês (Google Translator nele!):

 

She’s not been gone more than a few hours, and already the national media have cranked into gear and begun the blandly respectful eulogies – at their most critical they seem to be only able to say: ‘She polarised opinion … what’s certain is how much of an impact she made on Britain … etc etc’

Twitter set off at a pace with a thousand ‘Ding Dong the Witch is Dead’ messages only to be followed by a slew of bleeding heart liberals bemoaning the fact that people were daring to celebrate someone’s death.

Pah! Let’s make it clear: This is a cause to celebrate, to party, to stamp the dirt down. Tomorrow we can carry on shouting and writing and working and singing and striking against the successive governments that have so clearly followed Thatcher’s Slash & Burn policies, none more so than the present lot. But for now, we can have a drink and a dance and propose a toast to the demise of someone who blighted so many people’s lives for so long.

If we must show a little reverence and decorum at this time, then so be it. Our deepest sympathies go out to the families of all Margaret Thatcher’s victims.

Chumbawamba, 8th April 2013

Eles aproveitaram pra dizer que o referido EP “‘Margaret Thatcher – In Memoriam’ foi enviado em 8 de abril de 2013, a todos os que pré-ordenaram a compra do CD. Novos pedidos não serão aceitos”. Bom, se você não fez essa justíssima homenagem comprando o CD em 2009, eis que este blog disponibiliza PRA GERAL ESTE MIMO. E assim, encerra-se um ciclo de 1. amor ao Chumbawamba e às ideias perigosas e 2. o assunto Thatcher, que, como já havia falado, está devidamente relegada à lata de lixo da história, mas serviu também, como bem observou o Chumbawamba em seu comunicado, pra nos relembrar das centenas de milhares de vítimas de seu governo.

Numa boa, a morte da inimiga número 1 do punk inglês rendeu mais uma dentre tantas grandes sacadas do Chumbawamba, mesmo após seu fim. De deixar orgulhoso seu pequeno e aguerrido fã-clube.

 

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