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Thatcher, Inimiga do Povo

Se um personagem pudesse encarnar a despolitização da classe trabalhadora, sua derrota e todas as conquistas que a mesma perde na luta política, este personagem seria Margaret Thatcher (13 de outubro de 1925 — 8 de abril de 2013). Passou dessa para uma melhor – ou para uma beeem pior como deseja a imensa maioria de seus desafetos. Vocês podem imaginar a minha posição quanto a tal “dama de ferro”, mas não creio ser o caso de comemorar a morte de um personagem que já estava devidamente relegada à lata de lixo da história, tanto pelas pessoas de bom coração quanto pelos espíritos opacos de seu próprio partido. E se você acredita em carma negativo, vá lá: ela tomou de assalto os direitos que a até então altiva classe trabalhadora organizada inglesa havia conquistado, entregou boa parte das riquezas naturais e dos serviços de utilidade pública à iniciativa privada e comandou a “vitoriosa” incursão inglesa à Guerra das Malvinas.  Sofrimento nos outros é refreco. Mas vamos lá.

 

O que é mais assustadoramente vergonhoso é o comportamento da imprensa nativa, aproveitando a efeméride pra fazer proselitismo ideológico com aquele velho verniz da isenção de opinião, como se estivessem falando de algo que é ponto pacífico pro mundo. A saber: como bem observou o editor da +Soma, Mateus Potumati, “pra CNN, a Thatcher, eterna musa punk, era ‘conservadora’. Pra Globo, ‘uma reformista’. Mais realistas que o rei”. E foi assim na coluna da Miriam Leitão ou na FAlha de S. Paulo. Reformista né? Tá bom, falou. E é velha essa tática de usar a Thatcher para falar da utopia neoliberal das classes abastadas: lembro-me de uma Playboy com a reportagem “as 5 Maiores Mulheres da Humanidade”, e, no meio de outras 4 mulheres que, seguindo uma lógica própria da revista, eram “grandes exemplos” ao serem, ao mesmo passo, poderosas e voluptosas, meteram em um incrível segundo lugar a Thatcher, citando ainda seu desembaraço para combater “antiquados privilégios trabalhistas”. VEI, NA BOA. Cheguei a comentar o fato em meu antigo blog, Trânsito, inclusive.

Alvo-mor do punk inglês, a cultura popular inglesa em massa (ou ao menos a sua parcela mais envolvida com ideias democráticos) também tratou do espólio nefasto deixado pela passagem de Thatcher por este planeta – pegue a filmografia de um Mike Leigh e de um Ken Loach nos anos 1980 e 90 e fica claro sobre o que estou falando…

Ao contrário de uma tola lista do G1 de “homenagens”, o Les Inrocks francês fez uma deliciosa lista de canções “saudando”  (RA!) Margaret Thatcher. E como ela era tarada por privatizações, tá rolando uma petição online para privatizarem seu funeral, por exemplo. Nada mais justo à sua memória e legado, é bom frisar.

thatch

 

Abaixo, um exemplo popular de apreço pela falecida oferecido pela torcida do Liverpool, uma reportagem sobre peça teatral de 2008 que, exibindo um caixão com ao centro do palco e discutindo o legado de Thatcher, ficou 3 anos em cartaz, além de um vídeo do ano passado, que, segundo a descrição foi “feito em ansiosa antecipação pela morte da tirânica Margaret Thatcher que foi a mais odiada primeira-ministra da história”.

 

E claro, não poderiam faltar duas homenagens musicais para complementar as oferecidas pela lista do site francês. E viva a luta da classe trabalhadora!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um sincero P.S: QUANTAS MÚSICAS TERÍAMOS LEMBRANDO O TENEBROSO PERÍODO FHC????

 

Atualização 1.

"sanções à África do Sul: Nelson Mandela é um terrorista"

“sanções à África do Sul: Nelson Mandela é um terrorista”

 

Mais 21 canções contra a Dama de Ferro

 

E Phil Minton, em curta tour no Brasil a partir de quinta-feira acompanhado de Audrey Chen, reinventando uma tradicional canção de protesto inglesa – nada melhor para a data!

Um pensamento sobre “Thatcher, Inimiga do Povo

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