Hilda Hils1957

Quando que bonus dormitat Homerus – II

[“Também o bom Homero cochila”. Expressão de Horácio, que expressa a ideia que a perfeição absoluta não existe em poesia; assim sendo, até o grande Homero comete suas falhas. Aqui, usamos para não FALHARMOS na missão de conhecermos mais e mais poesia. Todas as terças feiras colocarei algum poema ou texto relacionado à poesia e um link do MAJESTÁTICO site Ubu (não conhece? Esquece aqui e vai pra lá AGORA!) de poesia visual. Quer ter seu poema publicado aqui? entre em contato! Regozijai-vos, plebeus!]

Hilda Hilst separa homens de crianças. Hilda Hilst separa as lânguidas das frígidas. Hilda Hilst era linda. Hilda Hilst era a poesia feminina aflita e aguda encarnada. Hilda Hilst era uma “bruxa velha” cercada de gatas em seu mausoléu. Hilda Hilst é um dos momentos mais intensos de nossa literatura na segunda metade do século 20. Hilda Hilst se institucionalizou. Hilda Hilst é uma das heroínas deste blog! Hilda Hilst, 21 de Abril, 1930. Hilda Hilst, 4 de Fevereiro, 2004.

Abaixo, trecho de seu romance fluxo poético Estar Sendo/Ter Sido, lançado originalmente em mui garbosa edição pela Nankim Editorial. O livro narra uma terrífica história de vingança sexual. Tem na Estante Virtual.

Vertiginoso o caminho do dorso.
Os tufos negros, faustosos
Guardam palavras que nunca ouvi.
Meus dedos metem-se ali
E o grande dorso os devolve
No meu de mim ocioso:
minha virilha, meu bolso.
Quem és? pergunto
À planície de pêlos que se move.
Sou iracúndia sou gozo
Sou ligadura rijeza
Sou eu
Entre verme pastoso
E a rutilante estrela que há em ti.

Deciframe ou devoro-te. HH, 1957. Musa.

***

Aqui, link para o página do PDF de Louis Luthi com o poema visual baseado em parte do capítulo Anna Livia Plurabelle do Finnegans Wake de James Joyce. Para os corajosos, somente.