Novas Frequências_edição especial em São Paulo

Novas Frequências 2012

Novas Frequências_eflyer completo

O festival Novas Frequências surgiu no ano passado com uma programação pra lá de fina, separou homens de crianças e foi, do ponto de vista da música contemporânea de ponta, o melhor festival do país ao lado do Sonar SP. Afirmo isso sem a menor sombra de dúvida. Mas acontece que a segunda edição do festival está ainda MELHOR!! Durante os dias 4 e 9 de dezembro, oito artistas – sete deles gringos e inéditos no Brasil, além de uma atração nacional, Cadu Tenório – se apresentam no Oi Futuro Ipanema, Rio de Janeiro. (ATENÇÃO: o festival terá uma versão reduzida em SP este ano).

Pra sentir o drama: três artistas da escalação lançaram trabalhos que entraram na minha lista de melhores deste ano: Actress (Inglaterra), Maria Minerva (Estônia) e Hype Williams (Inglaterra). Dá pra entender que tô felizão ou preciso desenhar?

A curadoria dessa celebração da música boa e sem rótulos fáceis, é de responsabilidade do Chico Dub – a direção de produção é de Tathiana Lopes. Além do Novas Frequências, Chico é um dos curadores e relações públicas do Sónar São Paulo, assinou a curadoria do Sky Lounge Multimídia, evento de música e performances audiovisuais que aconteceu no Memorial da América Latina, São Paulo, em 2008, e é co-idealizador e roteirista do documentário Dub Echoes, longa que mostra a importância do dub jamaicano para o nascimento do hip-hop e da música eletrônica. Resumindo: sabe BEM o que tá aprontando, num é aventureiro nem deslumbrado. No release do festival, Chico Dub diz sobre a edição deste ano que “são artistas difíceis de serem rotulados a gêneros específicos, tamanha é a mistura, o experimentalismo e o gosto pelo desconhecido. Mas algumas questões e palavras-chaves os unem conceitualmente, como: minimalismo, repetição, erro, desconstrução, transcendência, religião, distopia, o uso criativo de samples, a estética lo-fi e o som pelo som”.

Não há nenhuma atração ABSOLUTAMENTE desprezível e este blog recomenda muito tudo que vai tocar. Se você acompanha publicações como The Wire, Pitchfork ou Fact você já está familiarizado com os nomes do festival. Recomendo também acompanhar blogs nacionais como o Camarilha dos Quatro ou o Matéria para entrar em sintonai com a programação.

Sente o drama dia a dia da brincadeira:

Dia 04 de dezembro: Prince Rama (Not Not Fun/ Paw Tracks, EUA)

Duo neo-psicodélico das irmãs Taraka e Nimai Larson. Seguindo a fórmula de toda essa tchurminha marota nova-iorquina que ouviu muito Sun City Girls na vida, o Prince Rama usa muitos artifícios caros à música oriental buscando momentos de  transe, como cantos em sânscrito mesclado à palavras inventadas, gamelãs, sinos de reza e percussão tribal. não faz muito a minha cabeça não e não chega aos pés de gente como Animal Collective ou Gang Gang Dance, mas se você transa esse lance hippie-punk-rajneesh como diria Os Replicantes, cai dentro BONITO nessa! Ah, os dois últimos trabalhos do duo, ambos de 2012, Utopia = No Person e o Top Ten Hits Of The End Of The World, são os trabalhos mais amplamente dance da carreira delas.

Dia 05 dezembro: pole (pole, Alemanha)

Menos é mais: basicamente é este leitmotiv que guia a carreira do conceituado produtor alemão Stefan Betke, mais conhecido como pole. Em seus quatro trabalhos lançados sob a etiqueta pole, Stefan parte sempre de uma base ritmíca extraída de ruídos, chiados e crepitações emitidos por um Waldolf 4-Pole (um filtro próprio para a masterização de discos de vinil) ao cair no chão. A essa base, some linhas de baixo dub monstras, melodias singelas de sintetizadores e um senso musical funky. Deve ser um show bonito de se ver, só digo isso.

Dia 06 de dezembro: Actress (Honest Jons, UK)

Aqui o bicho pega, até porque não é fácil presumir o que poderemos esperar da apresentação do inglês Darren Cunningham.  Pegue o que de melhor foi feito em matéria de techno, house e  garage – só que não! No Actress, gêneros musicais são pretextos para rearranjar texturas e ambiências. Ele curte chamar essa “quebra de DNA” de “r&b concrete”. O que dá pra afirmar categoricamente é que há um sentido “pop” nessa jogada: distorcer estes elementos pra ele não significa azedar o angu e sim, torná-lo outro “alimento”, mas amplamente palatável.

R.I.P., seu trabalho de 2012, vai entrar em todas as listas de melhores do ano fácil fácil.

Mais infos aqui.

Dia 07 de dezembro: Maria Minerva (Not Not Fun/ 100% Silk, Estônia)

A cantora e produtora Maria Minerva é uma das minhas fixações desde que li um perfil dela na revista Wire (onde, curiosamente, foi estagiária). Minerva é um tipo de artista cada vez mais raro, que consegue transformar reflexão conceitual profunda (ela é mestre em Cultura Auditiva e Visual pela Goldsmiths, além de licenciada em História da Arte, além de exercer a crítica de arte em seu país) em música com vibrações pop.

Seu álbum de 2012, Will Happiness Find Me?, sucessor do igualmente belo Noble Savage, tem potencial pra ditar rumos na música dance com pendores mais vanguardistas e etéreos. O toque de autor dela é que, ao contrário de 99% da música que trafega em mares semelhantes, Minerva tem um discurso verbal afiado e suas letras costumam vagar por questões relacionadas à sexualidade e a alienação.

Ouça o trabalho dela aqui.

Dia 08 de dezembro: Lenticular Clouds (AMDISCS, Espanha)

Confesso não conhecer o trabalho dele até o anúncio do evento. Não me empolgou e coloco abaixo um resumo do relaese, ok?

Lenticular Clouds é o projeto do estudante espanhol de geografia Albert Zaragoza Gas, multi-instrumentista responsável por teclados, guitarras e sequenciadores.

Rotulado como chillwave, seu primeiro trabalho, Ciencia/ Conciencia (Neonized, 2011) é cheio de detalhes eletrônicos e ritmos quebrados, como se fosse uma IDM mais contemplativa, envolta em veludo.

Natural de Barcelona, Zaragoza deu um grande passo a frente com Universal Geometry (AMDISCS, 2012). As músicas, menos influenciadas por chillwave e hypnagogoc pop, são perfeitos mecanismos rítmicos que cativam o ouvinte, graças a melodias e precisos arranjos que aumentam a carga emocional das faixas.

<p><a href=”http://vimeo.com/37167526″>LENTICULAR CLOUDS supergravedad</a> from <a href=”http://vimeo.com/layerone”>Layer One</a> on <a href=”http://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

Dia 08 de dezembro: Julianna Barwick (Asthmatic Kitty, EUA)

Loops incessantes, camadas de vozes sobrepostas em construção feita através de eco e reverb.
voz encharcadas de eco e reverb. Isto é um resumo sucinto e objetivo do trabalho de Julianna Barwick. O restante é composto de arranjos rarefeitos e sutis, dando apenas a roupagem necessária para o ator principal das composições: a voz pura, despreocupada em fazer sentido enquanto linguagem verbal mas fortemente carregada de sinapses emocionais.

Dia 09 de dezembro: Cadu Tenório (Sinewave / Toc Label, Brasil)

Sobre a Máquina, VICTIM!, Santa Rosa’s Family Tree e Ceticências… são muitos os projetos do Cadu Tenório, um dos mais produtivos músicos brasileiros voltados à música experimental e representante brasileiro desta edição. Comumente realizando sons que podem ser enquadrados como noise, dark ambient e drone, seu trabalho é imerso na exploração de processos de gravação e improviso.

Para o Novas Frequência, um show dividido em quatro atos no
qual irá passear pelas sonoridades de todos os seus projetos, com participação de Emygdio Costa (Sobre a Máquina, Fábrica), o saxofonista russo Alexander Zhemchuznihkov
(Sobre a Máquina, BIU) e o baterista Renato Godoy (Chinese Cookie Poets).

<p><a href=”http://vimeo.com/38991412″>SOBRE A MÁQUINA . “Garça”</a> from <a href=”http://vimeo.com/marciapoppe”>marcia poppe</a> on <a href=”http://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

Dia 09 de dezembro: Hype Williams (Hyperdub, UK)

O duo Inga Copeland e Dean Blunt, o Hype Williams, são uma das maiores sensações da imprensa especializada nos últimos dois anos.

Black is Beautiful é um dos melhores álbuns do ano é um trabalho de síntese do que produziram até então e pode ser descrito objetivamente como dub eletrônico lo-fi filtrado a partir do rap e da música pop do Ocidente. Minha aposta de show do evento!

Serviço:
Festival Novas Frequências 2ª edição
Local: Oi Futuro Ipanema
Endereço: Rua Visconde de Pirajá, 54 / 3ºandar – Ipanema
Horário dos shows dos dias: 21h (os shows no sábado, dia 8, e no domingo, dia 9, começam
as 20:00)
Entrada: R$15 (meia entrada: R$ 7,50)
Capacidade: 130 lugares
Classificação: Livre
Informações: 031 (21) 3201-3010
www.novasfrequencias.com
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