dormindo no canto predileto da cama

Nina Mon Amour

A Nina Chuleta se foi. Insuficiência Renal. Quatro dias de sofrimento. Rapidinho. Nem vi, pá pum. Minha companheirona, seis anos de amizade e carinho mútuo. Puta bichinho afetuoso e gracioso. Foi embora. Tchau.

dormindo no canto predileto da cama

 

Foi embora numa terça-feira, 6 de setembro. Mesmo dia que o Pascoal lá do Estúdio Rocha se foi.

Em um desses momentos de leseira, admirando a folia dela pela casa, essa busca que, às vezes, os gatos tem pelo intangível, fiz esse retrato dela. Como poeta não sou, passei ao Alexandre Barbosa que tem todos os fundamentos do assunto, que deu-lhe um acabamento mais digno. Infelizmente, não encontrei esta versão. Vai a versão pobre de poesia minha mesmo. A Nina ainda ronrona em meus sonhos e me segue pela casa…

instantâneo

O gato pula

do concreto, o abstrato busca

ser ele mesmo e se agarra

puxa, raspa, arranha;

do vão da janela quer se desvencilhar

isso porque a rua lhe chama.