pjota_2

P.Jota – Ideias em Poucos Tons

retrato de Fernando Martins

retrato de Fernando Martins

Essa matéria foi para a +Soma 9 . Confesso que o trabalho do P.Jota é um dos que mais me agrada da rapaziada nova aqui em São Paulo. Esse foi o perfil que eu fiz dele no ano passado e resolvi publicar sem emendas. Um texto novo sobre o trabalho dele que eu escrevi vai sair na Juxtapoz gringa.

Vale lembrar que ele tá com expo nova rolando nos EUA, na galeria Anno Domini. O serviço vai no fim do texto. As imagens de obra são do Flickr dele e as fotos são inéditas, do brou Fernando Martins.

P.Jota – Muitas Ideias em Poucos Tons

Retratos por Fernando Martins

Seu ídolo é o avô, advogado, que “influencia meu ritmo de vida, que é o próprio ritmo da pintura, como levo tudo isso a sério, a ter os pés no chão e ser determinado em um objetivo”. Seu trabalho, mais que buscar uma temática, conta com a dinâmica do cotidiano como inspiração, “como se fosse um prolongamento do que costumo ser e querer. É difícil explicar, mas é muito parecido. Como caminhamos, por exemplo: você pode sempre ir à padaria, mas às vezes você muda o caminho, e encontra algo novo, entendeu?” Pode não ser fácil entender a motivação de Paulo José Nimer Abilel, natural de São José do Rio Preto (SP), mas nada disso nos impede de apreciar suas figuras envoltas em abstração quase monocromáticas, voláteis.

P.Jota, a alcunha escolhida pelo artista de pouco mais de 20 anos, segue o fluxo dos que encontraram uma primeira expressão nas ruasor este jovem prodígio e intuitivamente aderiram a outros suportes, como a tela e a instalação. E, ao contrário do que poderíamos esperar, não é a rua – livre, aberta, sem curadores e sem limites – que proporciona a experimentação: parece que o embate com novos suportes oferece o desafio para esses artistas que mantêm um dado relevante próprio da arte urbana, uma certa pureza que os coloca em dilema constante com a arte em sua forma-mercadoria. “Sempre odiei a ideia da pintura para decoração. Acho que ela veio, pelo menos pra mim, para dizer alguma coisa.”

O artista representado pela galeria Choque Cultural teve um 2008 agitado: exposição no MAC do Paraná ao lado de Rimon Guimarães, uma individual na Volcom Art Space e participação na coletiva I/Legítimo, no Paço das Artes – ambas em São Paulo. Em 2009, P.Jota deu um tempo na faculdade de artes para fazer uma exposição na galeria Anno Domini em San Jose, Califórnia, onde passará uns meses.

Detalhe de obra

Detalhe de obra

Você se identifica com o trabalho do Rimon Guimarães? Qual era a ideia da exposição Volúvel, realizada no MAC do Paraná?

Me identifico e gosto muito. A expo era o seguinte: unir pontos em comuns entre nós – a idade, a fase da vida, que é parecida, as ideias, que se parecem também –, sendo que tudo isso se passa em um tempo volúvel, cheio de mudanças, incertezas… Volúvel em um fluxo tortuoso foi a frase dessa exposição. Juntamos as produções de um jeito bem livre, fizemos desenhos juntos, instalações e montamos a exposição.

E quais são essas suas ideias? Como você as expressa em seu trabalho?

Desde os 14 anos já pintava na rua, não usava pincel nem nada. Aprendi a me virar com isso. E como comecei cedo tive tempo pra ficar testando. Hoje em dia, coloco na pintura e no desenho o meu universo de vivência, coisas que passo, que vi e coisas de que gosto. E as referências mais próximas são essas de quando pintava na rua. Gosto muito da textura que a rua proporciona, as paredes e coisas assim. A tela, pra mim, é como um registro de tempo – as últimas principalmente. Mais do que tudo, enxergo o suporte como algo que conta uma história. Não pinto um desenho fixo e grande na tela, e sim fragmentos. Como um diário. Penso que o suporte pintura é uma matéria que anda com a vida, algo com o qual me acostumei, como beber água.

Suas telas não se encerram em si mesmas? São como um filme ou uma história em quadrinho?

Não, é meio difícil de explicar… Começo com algumas ideias que mudam muito ao decorrer da produção e do meu ânimo. As telas são fases, campos de força, muitas falam coisas em comum, mas todas são parte de mim, sabe? Como se fosse um prolongamento do que costumo ser e querer. Como caminhamos, por exemplo: você pode sempre ir à padaria, mas às vezes você muda o caminho, e você encontra algo neste caminho, entendeu? São sempre um segmento, mas não como um filme. Porque a vida toda é um segmento.
3758450837_402b3bf1bc
A matéria-prima do seu trabalho é o cotidiano? É o assunto de seu trabalho?

É o que vem naturalmente, o suporte como registro. Mas, além disso, tem também a questão estética, da força como as coisas atuam dentro do universo humano. Desenho muitas mulheres nuas, isso é muito forte, mas não tem nada de anormal. Acho engraçado: você liga a TV e tem funk carioca pra todo lado, mulher rebolando. Aí coloco uma na pintura e todo mundo acha agressivo, sabe? Busco essas imagens que realmente têm algum peso.

Você faz umas telas mais abstratas, não?

Sim, misturo os dois, figurativo e abstrato. Tento deixar os dois com o mesmo peso na tela. Sempre gostei do abstrato, às vezes penso que um dia faça só abstrato.

Você tem um uso bem cerimonioso da cor – elas quase nunca dão as caras…

Estou usando cores com maior frequência. Achei cores que dialogam com meu trabalho, mas uso o colorido com bastante delicadeza, faço detalhes, mas nos campos maiores uso uma cor fixa. Na minha pintura, não há um colorido extravagante.

E o grafitti? Abandonou?

Acabei de ir para São José do Rio Preto e fiz uma porção de letras na rua. Estou pensando em fazer mais instalações na rua, misturar o tridimensional com a pintura, usando a textura da parede e pequenos elementos. Fiz uma um tempo atrás, mas preciso me dedicar mais, falta tempo.

SERVIÇO:
Expo Walking In The White
De 16 de Agosto até 19 de setembro de 2009.
De terça a sexta das 9 até as 19 horas. Aos sábados até as 17 horas
Anno Domini . 366 So. First Street map . San Jose, CA 95113
408.271.5155

Saiba Mais:

http://www.flickr.com/photos/pjota1

http://www.fotolog.com/desestavel

pjota_2

Um pensamento sobre “P.Jota – Ideias em Poucos Tons

  1. Fala Arthur, classe o seu novo blog, tô acompanhando! Vamos inaugurar uma coletiva aqui nessa quinta-feira e o Pjota tá participando com alguns trabalhos…vê se aparece para prestigiar…abs, Tiago.

Os comentários estão desativados.