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Che, de Hector Oesterheld, Alberto Breccia e Enrique Breccia

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(resenha publicada originalmente na revista +Soma)

Che . Hector Oesterheld, Alberto Breccia e Enrique Breccia . Conrad Editora . 2008

Esqueça o Diários da Motocicleta, o Che na pele de Benicio del Toro ou as dezenas de biografias sobre o guerrilheiro portenho-cubano que encontramos por aí. Esse album é, desde o dia que saiu, uma das obras em quadrinhos mais importantes realizadas na América Latina. Se o Ernesto não era esse santo que todo mundo acha, isso é outra história. O que importa aqui é o talento imenso de Oesterheld em contar histórias (imagina essa então, onde o personagem é ídolo do escritor também?) e Alberto Breccia, já tendo passado por todos os caminhos possíveis na arte de desenhar HQs, estava no auge de sua maturidade artística.

Lançada originalmente em 1968 na Argentina, apenas três meses depois da morte do guerrilheiro nas selvas da Bolívia, teve papel essencial na popularização de Che como herói latino-americano. O sucesso do álbum foi estrondoso e deu início a uma terrível perseguição política aos autores.

Em 1973 o livro foi proibido e a perseguição culminou, em 1977, com a prisão, tortura e assassinato, pela Ditadura Argentina, de Oesterheld e suas quatro filhas – uma história que chocou a Argentina e o mundo. Frank Miller, o quadrinista Americano responsável por Sin City, 300 de Esparta e Batman – O Cavaleiro das Trevas costuma dizer que “a história em quadrinhos se divide entre antes e depois de Alberto Breccia”. Em 79, um jornalista italiano falou com um oficial do exército argentino, que confessou:

“Demos um sumiço nele (Oesterheld), por ter feito a mais bela história de Che Guevara já escrita”.

Se você é daqueles que se interessa pela história de seu continente e por boa arte, não marque bobeira e corra atrás dessa edição luxuosa, o melhor lançamento de HQ do ano no país.

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